Às vezes, estar errado pode ser incrível

Há alguns anos atrás, quando a cadbox mal havia acabado de nascer, eu dei aulas particulares de AutoCAD para um aluno chamado Coka... e foi bem interessante.

Eu estava passando por uma transição (de autônomo para empresário) e no meio do caminho, quando ele chegou, me fez algumas perguntas que eu não esperava:

- Você não vai querer saber quem eu sou?

- Não vai anotar meu endereço?

- Não vai cadastrar meus dados?

E a verdade é que até aquele momento eu não pensava nisso.

Basicamente a pessoa me ligava, depois sentava ao meu lado na cadeira e eu passava um período entre uma e três semanas ali com ela, dependendo do nível de acesso às informações que ela havia comprado.

No caso do Coka o investimento foi nos cursos de AutoCAD 2D, 3D e Render (Arte Final).

Depois de aprender a fazer os meus primeiros contratos - ele escreveu o primeiro modelo - começamos o treinamento e o seu crescimento foi muito rápido.

Porém, quando eu estava quase concluindo o curso, percebi que estávamos em uma relação de narrador e executante.

O que isso quer dizer?

Quer dizer que ele sabia me ouvir e fazer o que eu solicitava, contudo, se eu ficasse mudo ele travava no ato.

Esse padrão me lembrou dos anos onde acompanhei meu avô no clube dos sub-tenentes.

Desde os 4 anos de idade sentei no banco do carona no carro e seguimos o mesmo itinerário por mais duas décadas. Mas se você me perguntasse como chegar naquele lugar, eu não fazia a menor ideia.

Então, assim como pegar no volante para ir da casa do meu avô até o clube poderia ter contribuído para que eu decorasse o caminho para chegar até lá, ter me afastado em alguns momentos, permitindo que este aluno "caminhasse com as próprias pernas" ajudaria no processo onde ele iria apreender os conteúdos ao invés de simplesmente ser capaz executá-los.

Essa experiência mudou completamente a minha forma de ensinar.

Daquele curso em diante eu passei a deixar um pouco de lado a ânsia por me mostrar atencioso (tentando contribuir no primeiro sinal de dificuldade) para permitir que as pessoas tivessem momentos de silêncio e então conseguissem lapidar suas próprias habilidades.

Após o último dia de aula, quando ele foi embora com sua moto, eu olhei para aquela cena e concluí "ele nunca mais vai voltar".

Pois bem...

Então a vida veio e me deu dois presentes para que eu pudesse refletir sobre as minhas "certezas".

Na véspera da virada de ano eu estava jogando baralho com meus familiares, e fiquei observando meu primo mais novo (temporão) segurando as cartas num jogo de pife.

No mesmo momento, pensei: - Coitado! Com essa idade... nunca vai bater. Está perdendo temp...

Eu mal terminei a frase e ele disse: - Bati!

Fiquei rindo do que eu havia pensado.

Meses depois, aquele mesmo aluno (que eu jurei que jamais voltaria) me procurou e hoje se tornou mais um dos sócios da cadbox.

Sabe por que eu escrevi esse texto?

Porque eu sei que a maioria de nós vai acumulando certas crenças ao longo do tempo, e algumas delas fazem sentindo, enquanto outras vale a pena duvidar.

Será que já chegamos no limite da nossa capacidade?

Será que não há nada mais interessante no nosso futuro?

Será que não podemos pregar uma peça no destino para chutar os pensamentos negativos e criarmos uma vida realmente espetacular?

Vou deixar essas perguntas em aberto para que você possa refletir e pensar...

Atenciosamente
Felipe Rizental